Ortodoxia

ortodoxia

“Sempre quis escrever um romance sobre um velejador que faz um erro de cálculo e descobre a Inglaterra com a impressão de ter descoberto uma nova ilha nos mares do sul. Mas, sempre me encontro por demasiado ocupado ou preguiçoso para escrever essa bela obra. Então, resolvi deixar para lá e utilizar a ideia apenas para uma ilustração filosófica. Haveria uma impressão geral de que o homem, ao chegar à terra firme (armado até os dentes e falando por sinais) para fincar a bandeira inglesa no templo bárbaro que, no final das contas, era o Royal Pavilion em Brighton, se sentiria um tanto tolo. Não estou aqui preocupado em negar que ele tenha parecido um tolo. Mas, se você imagina que ele se sentiu um tolo, ou ao menos que o sentimento de tolice foi sua única emoção ou a mais importante, então você não estudou com delicadeza suficiente a natureza rica e romântica do heroi desta história. Seu erro foi na verdade invejável; e ele o sabia, se ele foi o homem que eu imagino. O que poderia ser mais agradável do que ter nos mesmos poucos minutos todos os terrores fascinantes de ir ao estrangeiro combinados com toda a segurança humana de voltar para casa de novo? (…).

Parece-me que esse é principal problema dos filósofos e, de uma certa forma, o principal problema deste livro. Como podemos fazer para nos admirarmos do mundo e ao mesmo tempo nos sentir em casa nele? Como esta cidadezinha cósmica, com seus cidadãos cheios de pernas, com suas luzes monstruosas e antigas, como este mundo pode nos oferecer a fascinação de uma cidade estranha e o conforto e a honra de ser nossa própria cidade?

Mostrar que uma fé ou uma filosofia é verdadeira de todos os pontos de vista teria sido um empreendimento grande demais mesmo para um livro maior do que este; é preciso seguir uma linha de argumentação; e esta é a linha que eu me proponho de seguir aqui. Quero apresentar minha fé como algo que responde especialmente a esta dupla necessidade espiritual, a necessidade dessa mistura de familiar e desconhecido que a Cristandade nomeou com razão romance.” (Tradução livre do início do livro).

Ficha técnica:

Autor: G. K. Chesterton
Páginas: 280
Editora: Ecclesiae
 
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