O Método Pedagógico dos Jesuítas

“No desenvolvimento da educação moderna, a Ratio Studiorum ou Plano de Estudos da Companhia de Jesus desempenha um papel cuja importância não é permitido desconhecer ou desprezar. Historicamente, foi por este Código de ensino que se pautaram a organização e a atividade dos numerosos colégios que a Companhia de Jesus fundou e dirigiu durante cerca de dois séculos, em toda a terra. Ordem consagrada ao ensino pela Constituição escrita por seu próprio fundador, a Companhia, onde quer que entrasse para exercer os seus ministérios, instituía logo e multiplicava rapidamente os seus estabelecimentos de ensino. Em 1750, poucos anos antes da sua supressão (1773) por Clemente XIV, a Ordem de Inácio de Loyola dirigia 578 colégios e 150 seminários, ao todo 728 casas de ensino.

Essa imensa atividade pedagógica, com a sua incoercível influência e espontânea irradiação sobre outros colégios e outros sistemas educativos que se iam formando e desenvolvendo ao seu lado, não pode deixar de oferecer ao historiador da educação brasileira ocidental um interesse de primeira importância.

Pedagogicamente, a aplicação da Ratio foi coroada, em toda a parte, de um êxito incontestável. Confessam-no todos os escritores desapaixonados, ainda os menos simpáticos aos jesuítas. E se a árvore se conhece pelos frutos, aí estão eles numerosos e sazonados, a atestar-lhe a boa seiva e fecundidade. Não só a obra educativa dos colégios da Companhia foi um dos fatores mais eficientes da contrarreforma católica senão que também a ela se acha ligada grande parte da aristocracia intelectual dos últimos séculos.

Na França, São Francisco de Sales, Corneille, Moliére, Fontenelle, Descartes, Bossuet, Montesquieu, Malesherbes, Rosseau, La Condamine, Diderot, Buffon, Lagrange, Richelieu, Condé, Cauchy, Fleury, Lamartine, Foch; na Espanha, São João da Cruz, Cervantes Calderón, Lope de Vega, José Zorrilla, Ruben Dario, Ramon Jimenes; na Itália, Tasso, Alfieri, Vico, Goldoni, Segneri, Bartoli, Prospero Lambertini (Bento XIV); na Bélgica, Justo Lipsio; na Irlanda, O’connel; em Portugal e na América Latina, Antônio Vieira, João de Lucena, Baltazar Teles, Zorrilla de São Martin, para não lembrar senão estrelas de primeira grandeza, saíram dos Colégios da Companhia.

Estudar, portanto, um sistema pedagógico que tem em seu abono a prova decisiva de uma experiência multissecular é empreender um trabalho com a segurança dos resultados mais positivos, com a certeza de deparar muitos desses elementos da pedagogia perene, que mergulha as suas raízes nas profundezas da própria natureza humana. Quantos problemas agitados pelos educadores modernos encontrariam talvez, num princípio ou numa sugestão da Ratio, a inspiração bem-vinda de uma solução feliz?

A História e a Ciência da Educação têm, portanto, no Plano de Estudos da Companhia de Jesus, um instrumento de trabalho de primeira necessidade e de incontestáveis vantagens.”

 

FICHA TÉCNICA:

Autor: Padre Leonel Franca, SJ

Páginas: 204

Editora: Kírion

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