Feira do Livro de Resende vai homenagear poeta, jornalista e ativista social Narcisa Amália

Ela ficou conhecida em todo o país pelos artigos e prosas em apoio ao fim da escravidão, além de ser defensora da mulher e de minorias. Evento vai acontecer de 6 a 9 de junho.

Retrato em litogravura que ilustra a primeira edição de "Nebulosas" — Foto: Divulgação
Retrato em litogravura que ilustra a primeira edição de “Nebulosas” — Foto: Divulgação

A poeta, jornalista e ativista social Narcisa Amália foi escolhida para ser a grande homenageada na edição 2019 da Feira do Livro de Resende, a Flir. Ela foi a primeira mulher a atuar como jornalista no Brasil, sendo conhecida por todo país pelos artigos e prosas em apoio ao fim da escravidão, além de ser defensora da mulher e de minorias.

A 5ª edição da Flir vai ser realizada de 6 a 9 de junho, sempre das 9h às 21h, na Área de Exposições de Resende, no Sul do Rio de Janeiro.

Uma exposição na entrada do evento vai mostrar a trajetória de Narcisa Amália. Também terá uma mesa de conversa sobre a vida da poeta, onde estarão presentes o professor Julio Fidelis, economista e mestre em história social, criador do artigo “Reflexos de Narcisa – Poetisa das Névoas” e representantes do coletivo Nebulosas.

O grupo de arte feminista Nebulosas foi criado através do livro de Narcisa Amália, que busca histórias, memórias e trabalhos de outras mulheres da região e do mundo para divulgar para a sociedade através de ocupação do espaço urbano por meio de produções e exibições de audiovisual, fotografia, lambes e zines (publicações independentes). O encontro será no dia 8 de junho, às 13h, no Auditório Literário Flir.

Quem foi Narcisa Amália

Nacisa Amália nasceu em São João da Barra, no Rio de Janeiro, em 1852. Aos 11 anos, se mudou com a família para Resende, cidade onde começou a carreira na arte e no jornalismo. O pai dela, Joaquim Jácome de Oliveira Campos, fundou dois colégios: um para meninos, dirigido por ele, e outro para meninas, dirigido pela esposa, Narcisa Ignácia Pereira de Mendonça, que era professora primária. A contribuição dos pais de Narcisa para a vida cultural da cidade foi tão importante que Dom Pedro II resolveu conceder ao professor Jácome o prêmio Ordem de Cristo, quando visitou Resende, em 1874.

Narcisa se destacava com artigos na imprensa que criticavam a escravidão, que ainda predominava no Brasil. Ela também escrevia textos a favor da implantação da República. Também fazia colocações audaciosas que denunciavam a situação de inferioridade em que vivia a mulher brasileira. Na época, Narcisa foi alvo de críticas da sociedade resendense conservadora, católica, monarquista, escravocrata e machista.

Em novembro de 1872, publicou o livro de poesias Nebulosas pela mais famosa editora da época. A poesia de Narcisa foi recebida com aplausos pela crítica literária. Logo em uma das tantas visitas em Resende, o Imperador Dom Pedro II demonstrou desejo de cumprimentar a poetisa, cuja obra já conhecia e admirava, embora ela atuasse contra a monarquia e a escravidão.

Narcisa morreu em 1924, deixando um apelo para as futuras gerações de mulheres. “Eu diria à mulher inteligente […] molha a pena no sangue do teu coração e insufla nas tuas criações a alma enamorada que te anima. Assim deixarás como vestígio ressonância em todos os sentidos”. A cidade de Resende prestou uma homenagem batizando uma das ruas do bairro Manejo com o nome dela.

Fonte: G1