Escritores juvenis renovam literatura com novas obras

São muitas as histórias sobre escritores que começaram a produzir seus primeiros rascunhos ainda na infância. Mais raros são aqueles que publicaram essas obras. Mas, em Campo Grande e Cuiabá, alguns jovens decidiram editar esse material e lançar seus primeiros livros, aproveitando a facilidade de encontrar , atualmente, editoras dispostas a colocar qualquer obra no mercado literário.

Um desses casos é o de Silvio Enzo Moraes. Com 10 anos, ele acaba de publicar pela editora Life, de Campo Grande, o livro “Poemas de Silvio Enzo”. São cerca de 30 poemas escritos pelo menino, que trazem homenagens à mãe e ao pai, falecido quando ele tinha oito anos. Ele conta que começou a escrever por causa de trabalhos da escola. “Isso tem uns dois anos, comecei aos oito, depois de um trabalho sobre Manoel de Barros”, explica.

Após apresentar um dos poe­mas à mãe, ela não acreditou que o filho havia escrito. “Era uma linguagem adulta, achei que ele tivesse copiado e fiquei em cima para que ele me falasse a verdade”, conta Megh Firmino. No entanto, em resposta, o garoto decidiu escrever mais para mostrar sua capacidade à mãe.

“Eu fui muito cruel, fiquei descrente. Quando ele me mostrou os outros poemas, achei incrível”, comenta. Com um punhado de textos na mão, Megh decidiu procurar uma editora. Em Campo Grande, uma das mais populares na edição dos mais diversos tipos de livros é a Life. “Contamos com o apoio deles e a obra foi lançada na semana passada. Quase esgotamos a primeira edição”, conta a mãe, orgulhosa do filho escritor.

Fôlego

“Os Justiceiros – Insígnia de Vingança” é um calhamaço de mais de 500 páginas que levou cerca de sete anos para ser escrito. O livro, que segue a onda da literatura fantástica, é a primeira obra de Vitória Vieira, 20 anos. Estudante de Ciência de Computação, ela afirma que a literatura é um grande hobby e a dedicação a ela começou por volta dos 13 anos. “Eu comecei a escrever com essa idade. A ideia se transformou, eu escrevi  e reescrevi tudo diversas vezes. Foi um trabalho exaustivo, mas é muito recompensador chegar ao fim”, conta a jovem.

O livro também foi publicado pela Life Editora e conta a história de um povo conhecido como Justiceiros, que vive entre os seres humanos comuns sem que ninguém saiba de sua existência, e há muitos séculos está em guerra. Em meio a isso, o jovem Fernando Henrique, cujos pais foram mortos, decide lutar para vingar sua família e acabar de uma vez por todas com a guerra. Segundo a autora, trata-se de uma série. “Estou escrevendo o segundo volume, já tenho 100 páginas”, comenta.

Segundo Vitória, a ideia é manter a literatura apenas como um hobby. “Pelo menos agora, não pretendo me voltar totalmente para a literatura. Quem sabe no futuro”, argumenta a jovem. Segundo ela, o novo livro da série deverá sair um pouco mais rápido que o primeiro. “Eu aprendi algumas coisas, sei o que funciona e a história já está bem desenvolvida. Espero terminar logo”, pontua.

ESCOLHIDA

Um detalhe fez toda a diferença em relação à escritora Isadora Ricardo, 13 anos. Depois de escrever sua primeira história, ela decidiu enviar o texto para algumas editoras. O grupo paulistano Novo Século se interessou e, em dois meses, “Tudo Pode Acontecer (Na Adolescência)” será publicado.

“Eu moro no interior de Mato Grosso. Aqui não tem nenhuma editora. Por isso, decidi ir atrás de algum grupo fora e acabei sendo selecionada”, afirma a jovem, que mora em Sorriso. Ela conta que tem parentes maternos em Dourados e tem contato com Mato Grosso do Sul, mas não sabia das editoras da cidade. “Quando disseram que eu fui selecionada, fiquei muito feliz. É algo que foge à realidade da cidade onde eu vivo”, pontua.

Isadora afirma ter planos de se tornar uma escritora. Ela já está focada no seu segundo livro, realizando pesquisas para descobrir onde a história vai se passar. Para a autora, “escrever é colocar sonhos em uma folha em branco e deixar que estes se tornem realidade por meio do leitor”.

 

Fonte: Correio do Estado