4 livros para conhecer Antônio Cândido

 

Antônio Cândido é considerado um dos maiores e mais fundamentais críticos literários da história do país. O autor faleceu no dia 12 de maio de 2017, aos 98 anos, deixando para trás uma vasta obra crítica que moldou a forma de estudar e interpretar literatura no Brasil.

Foi professor emérito na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade de São Paulo no ensino de Teoria Literária e Literatura Comparada. Além do trabalho como docente, foi o responsável por criar O Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, em 1956, caderno especial voltado à literatura, um dos principais paradigmas do jornalismo cultural até hoje.

Entre tantas obras, fica difícil para o leitor saber por onde começar a se aprofundar nos textos do autor. A GALILEU separou quatro livros essenciais que trazem as noções modernas do professor sobre a relação da literatura com a sociedade, seu método de interpretação e suas visões sobre a formação da literatura brasileira como um todo. Todas as obras aqui contidas podem ser encontradas em versões publicadas pela editora Ouro Sobre Azul.

Literatura e Sociedade
Esta reunião de ensaios de Cândido revela porque o autor foi um dos poucos a perceber com lucidez a relação da produção escrita com os acontecimentos sociais envolvidos nela. No principal deles, o autor defende a ideia de que para uma crítica e interpretação coerentes é preciso levar em conta não só os aspectos sociais de uma obra, mas também os de ordem psicológica e estilística. Cândido mostra que por muito tempo a crítica literária buscava apenas identificar elementos da realidade nas obras escritas.

Depois, ela voltou-se para o outro extremo, tentado olhar narrativas como elementos isolados de tempo e espaço. O estudioso propõe como solução a abordagem de outro grande crítico, Otto-Maria Carpeux, chamada “estilística-sociológica”. Nela, o crítico observa os aspectos sociais envolvidos na obra ao mesmo tempo que os passa pelo filtro do olhar individual e característoco de cada autor. O método deveria ser atualizado e aperfeiçoado ao longo do tempo, mas era o primeiro passo para uma interpretação mais completa e produtiva.

Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos
Aqui, Antônio Cândido faz um apanhado de todos os aspectos importantes na formação da identidade literária nacional, dando destaque a dois movimentos principais: o Arcadismo e o Romantismo. Para ele, foi a partir do século dezoito que formou-se no Brasil o que ele chama de sistema literário, ou seja, uma interação entre autores, obras e público que constitui uma tradição.

É com este sistema que é possível falar da literatura como instituição dentro de uma sociedade. Utilizando-se desse modelo de análise, Cândido coloca em prática o método de interpretação pelo qual ficou conhecido nas obras dos dois períodos citados. Em análises ricas e complexas, consegue expor o lado social de cada obra sem nunca deixar de lado a estética e particularidade de cada autor.

Ficção e Confissão
A antologia de ensaios é focada quase inteiramente na análise das obras de Graciliano Ramos. No principal e mais extenso deles, Cândido considera a obra Caetés quase um relato autobiográfico do autor. Segundo ele, o alagoense desenvolve reflexões sobre a própria personalidade, sempre escondidas embaixo de camadas de manipulação ficicional. Para ele, a ficção de Ramos torna-se progressivamente uma confissão. Nos outros, Cândido faz uma breve exposição do corpo de trabalho do autor e também fala sobre a recepção que as obras tiveram pelo público brasileiro.

Vários Escritos
A coletânea de ensaios é dividida em duas partes. Na primeira delas, Cândido faz uma análise completa da obra de Machado de Assis, ressaltando os principais temas tratados pelo autor. Além dele, o crítico literário irá tratar também de Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. Na segunda parte, Cândido irá tratar de um assunto muito caro a ele: o direito à literatura. Para ele, o consumo de obras literárias constitui em necessidade social inevitável, devendo ser um bem completamente inalienável. Além dela, Cândido trata também da importância do estudo social sobre as minorias, principalmente com foco sobre o problema do preconceito racial, e também produz um perfil sobre Sérgio Buarque de Holanda.

(com supervisão de Nathan Fernandes)

 

Fonte: Galileu