16ª Jornada Nacional de Literatura: Pedro Gabriel, Rafael Coutinho, Roger Mello e Zeca Camargo são os escritores da primeira mesa de debates da Jornada

Inscrições estão abertas. As vagas são limitadas

“Literatura e imagem: além dos limites do real”. Esse é o tema da primeira mesa de debates da 16ª Jornada Nacional de Literatura, que acontece de 2 a 6 de outubro, na Capital Nacional de Literatura, em Passo Fundo/RS. Para discutir essa temática, o palco de debates da noite do dia 3 de outubro contará com os escritores Pedro Gabriel, Rafael Coutinho, Roger Mello e Zeca Camargo.

Discutir a leitura além do limite verbal. É isso que os organizadores da Jornada e o público esperam na primeira noite de debates do palco principal da Jornada, que nesta edição será denominado Espaço Ariano Suassuna. “A pluralidade de textualidades existentes na sociedade, associada à diversidade de suportes com os quais interagimos comprova uma concepção de leitura aberta, multiplicada. Assim, formar leitores esteticamente sensíveis exige um olhar que contemple o belo que existe tanto na palavra quanto nas demais representações”, justifica um dos coordenadores da Jornada Nacional de Literatura, professor Miguel Rettenmaier.

 

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16ª Jornada Nacional de Literatura acontece de 2 a 6 de outubro Foto: Arquivo- Fabiana Beltrami

 

A imagem, segundo Rettenmaier, é um elemento chave na mediação entre sujeito e mundo. “Ler imagens significa posicionar-se perante objetos estéticos, aparatos ideológicos, produtos de consumo…É importante que se registre nessa mesa, contudo, que a imagem, como representação, produz outra realidade, além daquela que consideramos ‘real’. É como se estivéssemos na linha de uma interseção entre o que julgamos como uma realidade material vivida e uma realidade imagética produzida”, afirma.
O público terá perante si talentos que representam uma geração que fez da imagem um signo essencial.  “Teremos, em Passo Fundo, escritores que construíram um estilo próprio, que não apenas se associou à diversidade de códigos, mas se apropriou deles na tentativa de superar as limitações de nosso olhar, desatento, pouco afeito a questionamentos mais agudos”, garante a também coordenadora da Jornada, Fabiane Verardi Burlamaque.
Diferentes leituras da imagem
Os autores convidados à mesa “Literatura e imagem: além dos limites do real” estão relacionados à questão da leitura da imagem, mesmo que sob evidentes diferenças. Conforme Rettenmaier, Pedro Gabriel ingressou no sistema literário pela lateralidade de uma situação específica: produziu poesias em guardanapos, nas quais o hibridismo entre imagem e palavra resultou em produções muito interessantes, as quais acrescentaram as dinâmicas do sistema literário ao poder das redes sociais, suporte original do autor, antes do livro.
Já Rafael Coutinho revela em seu traço e nas temáticas que aborda o talento de quem quer provocar o leitor. “A novela gráfica Mensur é um exemplo, ao expor na força de seu desenho a capacidade de discutir ‘cicatrizes’, no sentido mais profundo e complexo do termo”, observa o coordenador da Jornada.
Roger Mello é um dos ilustradores mais premiados do Brasil. Está, na Jornada, apresentando-se com sua primeira produção literária para o leitor adulto. “O livro W tem como um dos eixos temáticos a questão da cartografia, o que, de certa forma, nos interessa, já que teremos uma cartografia leitora no aplicativo da Jornada, o JornadApp, no ‘Projeto Transversais: Rotas Leitoras’”, revela.
Zeca Camargo dispensa apresentações, é uma figura polivalente. “Ele transita por múltiplas mídias, que faz uma literatura cartográfica, de viagens, ao mesmo tempo associando-se à grande mídia, à comunicação televisiva. De certa forma, estamos trabalhando com a imagem na amplitude do que se entende pelo termo”, destaca Rettenmaier.
Inscrições para a Jornada
A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são realizadas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, do Sesi, da BSBIOS e da Companhia Zaffari & Bourbon e com o apoio do Ministério da Cultura, além da parceria cultural do Sesc, dentre outras empresas e órgãos.
As inscrições para a Jornada e para a Jornadinha estão abertas e são limitadas. Os interessados devem se inscrever no portal www.upf.br/16jornada. A programação completa também está disponível no site da Jornada. Informações podem ser obtidas pelo e-mail jornada@upf.br ou pelo telefone (54) 3316-8368.
Sobre os autores da mesa “Literatura e imagem: além dos limites do real”:

 

Pedro GabrielPedro Gabriel

 

Pedro Antônio Gabriel Anhorn nasceu no coração do mundo. Mais precisamente em N´Djamena, no ano de 1984. Passou a parte mais bonita de sua infância na África, alternando entre a capital do Chade e o arquipélago de Cabo Verde. É filho de mãe brasileira e pai suíço, mas foi alfabetizado em francês. Sem saber falar português corretamente, chegou ao Brasil em 1996 com uma mala cheia de brinquedos e lembranças. A partir da dificuldade na adaptação ao idioma, começou a prestar mais atenção na grafia e na sonoridade das palavras, a brincar com elas, a tentar entendê-las. Transformou esse distanciamento de 12 anos em poesia. Cada vez que desenha ou escreve, tem a sensação de pagar uma dívida com a sua língua materna. Sua arte o aproxima do que ele é. Em outubro de 2012, inaugurou a página “Eu me chamo Antônio” nas redes sociais para compartilhar o que rabiscava com caneta hidrográfica em guardanapos nas noites em que batia ponto no Café Lamas, um dos bares mais tradicionais do Rio de Janeiro. É publicitário, formado pela ESPM-RJ, e autor dos livros Eu me chamo Antônio (2013); Segundo – Eu me chamo Antônio (2014); e Ilustre Poesia (2016), todos publicados pela Editora Intrínseca. Obras indicadas: Eu me chamo Antônio; Segundo – Eu me chamo Antônio; Ilustre Poesia.

 

Rafael CoutinhoRafael Coutinho 
Rafael Coutinho é quadrinista, artista plástico e editor. Nascido em São Paulo em 1980, se formou em Artes Plásticas pela Unesp em 2004. Como autor, é conhecido pelos livros Cachalote, parceria com o escritor Daniel Galera (Quadrinhos na Cia – 2010), O Beijo Adolescente 1, 2 e 3 (ed. Cachalote) e As Aventuras do Barão de Munchausen (ilustrador Cosac Naify – 2014) e Forrest Gump (Ed. Aleph –  2016). Como editor, foi dono do selo Cachalote/Narval (2010-2016) e do site de quadrinhos Nébula, do Medium (2015). Como curador, participou dos eventos Bienal de Quadrinhos 2016 e da exposição Ocupação Laerte, no Itaú Cultural (2015), além de coordenador e idealizador do evento DES.GRÁFICA, no MIS-Museu da Imagem e do Som – SP (2016).
Obras indicadas: Mensur; Cachalote; O beijo adolescente; O beijo adolescente 2.

 

Roger MelloRoger Mello
Roger Mello é ilustrador, escritor e diretor de teatro. Vencedor, na categoria Ilustrador, do Prêmio Hans Christian Andersen, concedido pelo International Board on Books for Young People (IBBY) e considerado o Prêmio Nobel de Literatura Infantil e Juvenil. É hors-concours dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Vencedor de 10 Prêmios Jabuti. Roger recebeu o Chen Bochui International Children’s Literature Award como melhor autor estrangeiro na China.
Obras indicadas: W

 

Zeca-CamargoZeca Camargo
Iniciou sua carreira como repórter em 1987 quando trabalhava na Folha de S. Paulo e foi enviado para Nova York, EUA. Quando retornou ao Brasil, foi chamado para trabalhar na MTV, onde tornou-se diretor de jornalismo e apresentou o programa “MTV no Ar”. Em 1994, passou a comandar o programa “Fanzine” na TV Cultura e, mais tarde, virou editor da revista “Capricho”. Depois disso, em 1996, foi chamado pela Rede Globo para apresentar o quadro “Altos Papos” no Fantástico. Na mesma emissora, apresentou o reality show “No Limite”. Hoje, é escritor, editor-chefe e apresentador do “Fantástico”.
Obras indicadas: 1000 lugares fantásticos no Brasil; Isso aqui é seu; Novos olhares; De A-ha a U2.